Este texto é para vocês.
E é também para o mundo, porque há vínculos que não se explicam — afirmam-se.
Desde o primeiro instante, a vossa existência reorganizou tudo em mim.
Não houve negociação. Não houve cálculo.
Houve a construção imediata de um nós que passou a orientar cada decisão, cada limite, cada escolha silenciosa.
Ela,
linda, inteira, profundamente viva.
Carregas um nome que sempre soube que um dia terias. Não como hipótese, mas como certeza — a certeza inabalável de que irias existir no mundo. Não como memória, mas como continuidade, como homenagem. Há nomes que criam raízes, que atravessam gerações. Em ti, esse nome ganhou corpo, vontade própria, presença. E connosco ganhou futuro.
Ele,
inteligentíssimo, sólido, intensamente presente.
Reconheço-me em ti onde o espelho alcança, mas admiro-te sobretudo onde ele falha. És parecido comigo em traços visíveis e absolutamente único no essencial. É nessa diferença que o nosso nós se expande.
O amor que sinto por cada um de vocês não é abstrato.
É concreto. Estruturante. Orientador.
É o amor que me faria dar a vida sem qualquer hesitação — não como metáfora, mas como verdade simples.
E é esse amor que sustenta o nós todos os dias.
Houve caminhos difíceis.
Momentos em que o meu lugar foi questionado, diminuído, invalidado, pressionado.
Tentativas de fragmentar aquilo que é indivisível: o vínculo entre um pai e os seus filhos.
Mas quando tentam quebrar um laço verdadeiro, a resposta não é ruído.
É continuidade.
Eu permaneci.
Não apenas como indivíduo, mas como parte ativa de um nós que se recusou a ser desfeito.
Ser pai nunca foi, para mim, um papel dependente de validação externa.
Foi — e é — identidade partilhada.
Não precisei de ser autorizado para amar.
Não precisei de permissão para cuidar.
Não precisei de aplauso para sustentar aquilo que é nosso.
Abdiquei de coisas, sim.
Tempo. Conforto. Caminhos mais fáceis.
Mas nunca lhes chamei sacrifício.
Sacrifício é perder algo contra a própria vontade.
Aqui houve escolha consciente, repetida, tranquila.
Porque tudo o que abdiquei foi menor do que aquilo que preservei: nós.
A força que nos permitiu atravessar obstáculos não veio da dureza.
Veio da convicção.
Da certeza silenciosa de que nenhum ruído externo resiste à coerência de um nós vivido com verdade ao longo do tempo.
Ser pai presente não é estar sempre visível.
É ser previsível.
É ser seguro.
É ser aquele que não desaparece quando o vínculo exige mais do que presença física.
Todos os obstáculos foram superados não por invencibilidade, mas por decisão.
Não abdiquei do vínculo.
Não abdiquei da ternura.
Não abdiquei da responsabilidade emocional.
Não abdiquei de nós — nunca.
Este texto não é contra ninguém.
É a favor.
A favor do amor que não precisa de palco.
Da força que não se exibe.
Da resiliência que nasce da decisão diária de continuar inteiro em relação.
Ser pai presente é um ato de coragem silenciosa.
E eu escolhi — e continuo a escolher — existir assim.
Para ti, MCCA, minha, tua, do mundo.
Para ti, VMCA, meu, teu, do mundo.
Para nós.
Ontem, hoje, amanhã — e enquanto existir.
3 comentários:
Que texto lindo!
❤️
Que texto inspirado e inspirador 🥰
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